Descubra o Erro na Música #5 – Inútil – Ultraje a Rigor

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Por: | 2017-12-18T11:44:14+00:00 23 de novembro de 2016|Dicas, Erro na música|

descubra-o-erro-1“Inútil, A gente somos inútil”…. Opa, essa música parece familiar, né? Acho que já conhecemos essa banda e já falamos dessa música! Você lembra?

Isso mesmo! Como já vimos em um post passado, a música “Inútil”, do Ultraje a Rigor, apresenta alguns desvios da norma padrão da Língua Portuguesa e, pelo jeito, parece que o grupo gosta mesmo de uma licença poética, não é?

Você saberia dizer qual é a inadequação neste trecho?
Se você disse concordância verbal, você está certíssimo. Agora só falta entendermos o porquê.

De acordo com a normalização da língua, o sujeito e o verbo devem concordar em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª). Na música, o sujeito em questão é “a gente”, portanto deve-se atentar à forma verbal adequada.

Tanto o “nós” quanto o “a gente” existem na língua portuguesa e estão corretos. O primeiro é um pronome pessoal do caso reto que indica um grupo, enquanto o segundo é uma locução pronominal com valor semântico de “nós”. Portanto, elas podem ser utilizadas como sinônimos, desde que se tenha atenção para a distinta conjugação do verbo.

Utilizamos o “nós” quando o sujeito da ação é a pessoa que fala e pelo menos mais uma pessoa. A conjugação será na primeira pessoa do plural, podendo ser usado numa linguagem formal ou informal.

Exemplos
Nós caímos no pátio ontem.
Nós gostaríamos de sair à noite.
Nós sabemos cantar o hino nacional.

A locução pronominal “a gente” é formada pelo artigo definido feminino “a” e pelo substantivo “gente” e exprime um sujeito indeterminado, ou seja, pode se referir a um sujeito que fala (nós) ou às pessoas em geral (população, humanidade, povo). Essa expressão equivale ao pronome “nós”, porém a conjugação é feita na terceira pessoa do singular e é apenas usada numa linguagem informal.

Exemplos
A gente falou com o Márcio sobre o projeto.
A gente vive em um país democrático.
A gente soube da prisão daquele corrupto.

Uma diferença que pode ser percebida entre ambos os sujeitos é a aproximação entre quem fala e quem recebe a informação quando o “a gente” é usado. Essa pode, inclusive, ser uma das razões para a banda ter escolhido essa estrutura com desvio da norma culta: a identificação do público com o que é cantado.
Portanto, é preciso prestar atenção no contexto em que esses sujeitos se encontram e na conjugação mais adequada dos verbos para tal. Não se esqueça de que os clássicos “a gente vamos” e “nós vai” serão considerados erros gramaticais quando a situação exige a norma culta.

Exemplos
A gente vai ao parque no final do dia.
Nós vamos ao parque no final do dia.

Pois é, existem muitas questões escondidas num caso de inadequação da língua, não é? Pelo que pudemos ver, o “Ultraje a Rigor” não estava nem um pouco desatento ao compor a música.

A licença poética veio para problematizar, para dar lugar de fato a um núcleo da sociedade esquecido, que não teve vez nem voz, mas que, na música do grupo, canta por seus direitos.

Legal, né? Vivendo e aprendendo com as licenças poéticas.

Cláudia Jones, redatora do Redação Perfeita com a colaboração de Luana Magalhães, graduanda em Letras

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