Descubra o Erro na Música #14 – Dois Rios – Skank

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A musica Dois Rios - Skank, um clássico do sucesso vai ajudar- nos a aumentar um pouquinho mais o nosso conhecimento em Língua Portuguesa

Por: | 2017-12-18T11:35:38+00:00 08 de maio de 2017|Erro na música|

dois rios - skankQue os braços sentem

E os olhos vêem

Que os lábios sejam

Dois rios inteiros

Sem direção”       − Dois Rios – Skank

Quem nunca ouviu essa canção da banda Skank? Em quase todos os churrascos, a gente canta essa música, mas você já parou para analisar a letra dela? É o que faremos hoje. Vamos lá?

Tá vendo aquele “que” ali em cima? Pois é, ele é uma conjunção integrante, aquela conjunçãozinha que usamos para ligar uma oração subordinada a sua principal. Sendo assim, para entender o desvio desse trechinho, precisamos da frase que veio antes dele. Vamos analisar o trecho completo, então:

“Na voz da vida ouvi dizer

Que os braços sentem

E os olhos vêem

E os lábios sejam

Dois rios inteiros

Sem direção”

Se você percebeu um caso de erro de concordância, você tá fazendo a lição de casa! É isso mesmo!

A primeira oração apresenta um verbo transitivo direto, o que faz com que as orações subordinadas seguintes sejam substantivas objetivas diretas. A questão é que existe uma coisinha na Língua Portuguesa chamada de paralelismo sintático, que é uma forma de simetria entre os componentes de uma sentença.

Assim, é importante que elementos de natureza gramaticais se apresentem de forma similar, para que a lógica da frase não se perca e seu entendimento seja completo.

Na canção observada, os verbos não se encontram no mesmo tempo e modo verbal. “Sentem e veem” estão no presente do modo indicativo enquanto “sejam” está no presente do subjuntivo. Assim, a forma mais adequada seria “sentem, veem e são”.

E por que deixar os verbos no indicativo e não no subjuntivo? Ora, porque a ideia passada na canção é a de que essas são coisas que o eu lírico ouviu dizer, ou seja, as orações têm caráter afirmativo e não duvidoso, como o subjuntivo faria.

E, eis que surge a Licença Poética!

Mais uma vez, a licença poética se faz presente em Dois Rios – Skank. Os autores provavelmente preferiram essa forma verbal a outra por acharem que a sonoridade e a combinação do ritmo e letra ficaria melhor. E nós adoramos essa música desse jeitinho mesmo!

Ah, você deve ter percebido que o “veem” também está diferente, não é? Pois é, o novo acordo ortográfico determinou a supressão do acento circunflexo das formas verbais terminadas em “-eem”. Ou seja, palavras como creem, leem, e o próprio veem não recebem mais acento. É importante dizer que a acentuação não é um caso de licença poética: a grafia é sem acento em quaisquer circunstâncias!

Não se esqueça de sempre dar uma passadinha aqui para mais dicas de Língua Portuguesa.

Colaborou: Luana Magalhães, graduanda em Letras

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